Seguir dietas
publicadas em revistas de grande circulação pode ser um risco para a
saúde. Esse é o principal resultado de um estudo feito com
publicações não-científicas por pesquisadores da Universidade
Federal de São Paulo e publicada na edição de setembro dos Cadernos
de Saúde Pública.
As pesquisadoras Olga Maria Amancio e Daniela Chaud analisaram 112
dietas, todas publicadas em 2002 por revistas populares durante oito
meses seguidos. O periódico A, como as pesquisadoras chamaram uma
das publicações (os títulos reais foram omitidos), tem 13 anos de
circulação e tiragem superior a 300 mil exemplares. O periódico B,
com circulação de 120 mil, existe há seis anos.
“Todas as dietas se mostraram inadequadas em relação a uma ou mais
das substâncias avaliadas. Menos de 25% das dietas apresentaram
distribuição adequada de macronutrientes”, escreveram as
pesquisadoras no artigo. Houve um predomínio nos níveis inadequados
de cálcio (85,7%), ferro (97,3%) e vitamina E (91,9%). Para analisar
os nutrientes de todas as dietas, as pesquisadoras usaram o programa
Virtual Nutri. Os teores de micronutrientes foram comparados aos
Dietary Reference Intakes, da Academia Norte-americana de Ciências.
Das 112 dietas analisadas, 95 recomendavam a ingestão de quantidades
baixas de cálcio. Em uma delas, a quantidade indicada estava acima
do limite máximo recomendado pelos nutricionistas. Segundo as
autoras do estudo, concentrações altas ou baixas de minerais e
vitaminas são situações indesejáveis. Além disso, podem causar
interações negativas com outras vitaminas e outros minerais.
Outro ponto considerado negativo pelas pesquisadoras da Unifesp está
relacionado com as instruções publicadas em conjunto com as dietas.
A duração de sete dias, por exemplo, que é normalmente a que mais
predomina nos periódicos é insuficiente para uma perda de peso
gradual e saudável, explicam.
Entre toda a amostra, apenas uma única dieta, publicada pelo
periódico B, estava realmente balanceada dentro dos padrões
nutricionais e bioquímicos, segundo o estudo feito. As 1.387
calorias estavam distribuídas em 57,83% de carboidratos, 15,51% de
proteínas e 26,66% de lipídios. Além disso, estavam presentes 278,22
miligramas de colesterol, 19,36 miligramas de ferro, 1.145,5
miligramas de cálcio e 26,62 miligramas de vitamina E.
Para as pesquisadoras, a conclusão das análise das dietas é uma só:
“Não deveria ser permitido que publicações não-científicas
anunciassem dietas para perda de peso que não apresentassem também
uma composição química adequada”, afirmam. As dietas, da forma como
que foram anunciadas, podem induzir, segundo o artigo, à adoção de
práticas arriscadas de alimentação. |